sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Lavando a minha alma

Um noviço estava na cozinha, lavando alfaces para o almoço, quando um velho monge conhecido por sua rigidez-dele se aproximou:
- Você pode me dizer o que o seu superior do convento disse hoje no sermão?
Não consigo me lembrar. Só sei que gostei muito.
O monge ficou estupefacto.
- Justamente você, que tanto deseja servir a Deus, é incapaz de prestar atenção nas palavras e nos conselhos daqueles que conhecem melhor o caminho? Por isso as gerações estão cada vez mais corrompidas, já não respeitam o que os mais velhos têm a ensinar.
- Olhe bem o que eu estou fazendo - respondeu o noviço. - Estou lavando as folhas de alface, mas a água que as deixa limpas não fica presa nelas; termina sendo eliminada pelo cano da pia. Da mesma maneira, as palavras que purificam são capazes de lavar a minha alma, mas nem sempre permanecem na memória. Não vou ficar me lembrando de tudo o que me dizem só para provar que sou culto e superior aos demais. Tudo aquilo me deixa mais leve, como a música e a Palavra de Deus, termina sendo guardado em um recanto do meu coração. E ali permanece para sempre, vindo à superfície somente quando preciso de ajuda, de alegria ou de consolo.

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